Categoria: LIVROS

  • Bom Crioulo é considerado o primeiro livro brasileiro sobre um relacionamento homoafetivo

    O livro “Bom Crioulo” é do escritor Adolfo Caminha e foi publicado em 1895 no Brasil. Seguindo o movimento naturalista, a história é sobre o ex-escravo Amaro e um jovem de 15 anos, que ainda conta um a entrada de Dona Carolina formando um triângulo amoroso, que já dá sinais de tragédia à vista.

    Caso enha interesse no livro, abaixo segue o link da Amazon.

    [wp-embedder-pack width=”100%” height=”400px” download=”all” download-text=”” url=”http://” /]

    Mas eu não quero fazer uma crítica literária, e sim falar da nossa história que muita gente tenta negar, ou falar que nunca existimos.  Mas a história do Bom Crioulo com certeza foi baseada em algo que o escritor tinha conhecimento.  Estamos vivendo em uma época polarizada politicamente, mas também que estamos muito mais expostos.

    Foto: Mercedes Mehling – Unplash

    O mundo realmente hoje parece estar em debate constante sobre a homofobia, machismo, feminismo, racismo, gordofobia e tantos outros temas que são de suma importância debater e cada vez mais deixar as pessoas informadas, para que os erros e preconceitos do passado não se repitam nessa e nas próximas gerações.

    E nada melhor que estudar e saber mais sobre a história, a ciência, a psicologia e a sociologia. Se hoje vemos um jornalista na TV desejando feliz dia dos namorados para o seu amor que está em casa preparando o jantar, se vemos mais gays e lésbicas nos reality shows, propagandas, novelas, filmes e peças de teatros falando sobre a nossa realidade, cada vez mais artistas e personalidades assumindo a própria sexualidade, e tanto faz se forem gays, lésbicas, trans, bissexuais ou qualquer outra forma de ser, temos que ter em mente que muita gente antes de nós lutou para termos esse espaço. E muita gente sofreu muito e muito. Um dos livros mais importantes para se ler é “Devassos no Paraíso” do Trevisan. É um estudo sério e documentado sobre a nossa comunidade no Brasil Colônia até aqui.

    LGBTQI+
    Foto: Sharon Mccutcheon – Unplash

    Por isso meu interesse sobre o livro. E fui pesquisar a vida do autor, que teve uma vida hétero. Mas como Amaro, ele teve uma passagem pela Marinha Brasileira (na época chamada Marinha de Guerra). Ele se apaixonou por uma mulher casada, e essa mulher abandona o marido para viver com ele, com quem tem duas filhas.

    Mas por causa do escândalo ele teve que sair da Marinha e trabalhar como funcionário público.  Ele escreveu outros livros também como “Judite”, “A Normalista”, “No País dos Ianques”, o  mais famoso “Bom Crioulo” entre outros e com mais duas obras inacabadas. Infelizmente o autor morreu muito jovem de tuberculose, aos 29 anos de idade no Rio de Janeiro.

     

    Este livro pode ter sido o primeiro no Brasil, mas temos muitos outros livros sobre o assunto. Por isso leia, veja, ouça, viva, beije, ame.

     

     

  • Me Chame pelo Seu Nome

    foto divulgação: me chame pelo seu nome
    foto divulgação: me chame pelo seu nome

    Nessa semana terminei de ver o filme “Me Chame pelo seu Nome”. Demorei um pouco para ver por causa da direção arrastada, e tive que separar um tempo para conseguir analisar com maior propriedade. E isso valeu a pena. O filme já está disponível no Netflix.

    foto divulgação: me chame pelo seu nome
    foto divulgação: me chame pelo seu nome

    Apesar de estarmos acostumados com o tipo de filmes americanos, que possuem uma edição mais rápida e com roteiro mais explicativo, a direção competente do diretor Luca Guadaginino oferece cenas campestres belíssimas do interior da Itália, com uma fotografia competente e solar de Sayombhu Mukdeeprom, o filme se alia perfeitamente aos componentes de arte explanados no livro.  E para isso ser deleitado, a edição tinha que ser realmente mais lenta, para entendermos as emoções dos personagens.

    O adolescente Elio vivido pelo excelente Thimothée Chamalet e o estudante americano que praticamente é um deus grego vivido por Armie Hammer com o americano Oliver, conseguem dar vida e humanidade aos diversos sentimentos que o amor causa nos personagens.

    foto divulgação: me chame pelo seu nome
     foto divulgação: me chame pelo seu nome

    Vencedor do Oscar de melhor roteiro, James Ivory conseguiu exprimir toda a beleza e delicadeza, com diálogos concisos e silêncios reveladores, como realmente a vida é. O texto que deu origem ao filme, é o livro homônimo do escritor egípcio André Aciman.  Ivory é um veterano do cinema com grandes filmes já criados como “Retorno a Howards End” de 1992, “Vestígios do Dia” de 1993, “Maurice” de 1987 e tantos outros filmes que asseguram a ele, como um dos melhores artistas do cinema ainda em atividade.

    foto divulgação: me chame pelo seu nome
    foto divulgação: me chame pelo seu nome

    Apesar de tudo isso, o filme é uma obra para ser contemplada, degustada, revista para ser apreciada em toda a sua magnitude. Apesar de ser muito elogiado, parte da crítica reclamou diretamente da velocidade do filme. Ao contrário, eu acho que esse é um grande trunfo do filme. A vida já é tão corrida, tudo acontece ao mesmo tempo, somos bombardeados com toneladas de informações diariamente, que é importante parar, refletir, e saber degustar certos momentos da vida.

    Sem dar spoiler, a fala final do pai do Elio nos dá uma lição de vida e mostra como um texto pode ser magistralmente escrito.

    Assista o trailer do filme.

  • Dicas de Livro: O Terceiro Travesseiro

    Esse é o primeiro livro do escritor Nelson Luiz de Carvalho. Uma história de amor entre dois adolescentes, que se baseou nas vidas reais de Marcos, Renato e Beatriz. Ainda lembro hoje, o impacto que o livro teve sobre mim. Ainda não tinha conhecimento sobre os relacionamentos gays, e nunca tinha me visto representado em um livro. Hoje com todo esse debate de representatividade das minorias, percebe-se como isso é importante. Você se ver em um livro, filme, novela, comercial e o que mais for

    O livro narra a descoberta da sexualidade de Marcos, o amor com o Renato, a relação e reação de suas respectivas famílias, os amigos, a explosão do desejo sexual, a amizade com Beatriz e tudo isso, entremeado com as lembranças e memórias do personagem principal.

    Desde o lançamento em 1998, tornou-se um sucesso de público e crítica. O livro se transformou ainda em peça de teatro e filme, gerando uma legião de fãs. Ainda é considerado marco na literatura LGBT brasileira, vendendo milhões de exemplares no país, e já está sendo traduzido para edições em inglês e francês.

    O livro está ainda em venda nas principais livrarias do país.

    Se tiver interesse em adquirir o livro, clique aqui: bit.ly/3tK93bm